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Afeto

Fábio Setti | Brasília (DF)

Afeto é uma série autoral, dividida em duas partes. A primeira, curtíssima, de um minuto de duração. A segunda parte são fotografias still que complementam a série, cujo foco é o poder do afeto como movimento de existência, por uma narrativa decolonial, sugerindo o quão importante é o sentimento de afeto para população negra

19 de mar. de 233 min de leitura
19 de mar. de 233 min de leitura

A palavra AFETO deriva do latim “AFFECTIO”, relação, disposição, estado temporário, amor, atração. Da raiz de “AFFICERE”, fazer algo, agir sobre, fazer, manejar.

Vivemos em uma sociedade ainda racista e com vários reflexos errados sobre os corpos pretos.

Na busca por registrar que o povo preto é amor, carinho, família, arte, criatividade, intelecto e afeição, o curta “AFETO” traz a narrativa dos grupos de pessoas pretas, de diferentes esferas sociais em momentos de intimidade e sensibilidade para com o mundo ao redor.

Notando de perto hábitos, carinhos e detalhes sobre o cotidiano, e de que forma o afeto transforma a vida de cada um. Seja nutrindo xs parceirxs cansadxs do trabalho, de lazer com a família, curtindo momentos de descontração ou dando suporte tanto na saúde, quanto na enfermidade.

A história se passa em uma casa no campo, onde o elenco se concentra na intimidade e na evolução por meio do amor. A casa representa o Ilê, trazendo paz, conforto e desenvolvimento de cultura de todos que foram ali acolhidos.

A intenção era reviver os momentos de intimidade das nossas casas, principalmente no ambiente das salas de estar. Resolvi falar de afeto e amor por acreditar no poder que eles têm na criação e formação do caráter humano.

O projeto foi elaborado em parceria com a curadora Vanessa Kanaiza, que selecionou o trabalho "Afeto" para seu festival de artes intitulado "No Shoes on My Carpet", cujo conceito era adentrar as casas das famílias negras diaspóricas ao redor do mundo, ententendo como são as relações e atravessamentos da negritude mundo a fora.

Afeto nasceu da urgência de refletir sobre amor como força motriz da nossa vida.

Maior que um sentimento, o amor se compara ao próprio universo, devida proporção e complexidade.

O elo de ligação e conexão que realmente move e transforma ambientes, físicos, psicológicos e astrais.

Nosso primeiro contato com o amor surge muitas vezes dentro de casa, e se extende por diversas experiências e encontros da vida.

Quando penso em amor, penso na energia que movimenta corações e ações, em busca de evolução, sem distinção.

Vivemos na era da volatilidade, do digital, verdadeiros distanciamentos disfarçados de proximidade.

Na minha experiência, simples gestos, falas, espaços e conexões diárias podem ser consideradas demonstrações de amor, livre de qualquer conceito ou amarra.

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